Saúde Mental: promovê-la é preciso!

Organização Mundial de Saúde (OMS) tem uma definição simples porém verdadeira do termo Saúde: um completo estado de bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças ou demais enfermidades.

Em sua publicação Promoting Mental Health: Concepts, Emerging Evidence and Practice (sem tradução para o português) feita em colaboração com a Victorian Health Promotion Foundation e a University of Melbourne, a OMS nos traz tópicos importantes sobre a promoção de saúde mental e sua importância, tanto nas esferas individual, social e econômica.

Este relatório segue introduzindo a idéia de que a saúde mental é parte indissociável da saúde como um todo, é mais do que apenas a ausência de transtornos mentais. Desta forma, está intimamente ligada à saúde física e ao comportamento.

Saúde Mental: promovê-la é preciso

Entendo que definir saúde mental é algo que exige certas considerações, por exemplo, as diferenças culturais entre os diversos povos que habitam nosso planeta. Isto é evidente e o relatório da OMS não exclui tal fato.

No entanto, como prossegue a publicação, assim como o conceito de riqueza, que é expressado de formas diferentes mas possui uma idéia universal, assim também pode ser entendida a idéia de saúde mental. Desta forma, em trecho extraído do relatório, saúde mental é:

(…) um estado de bem-estar em que o indivíduo percebe suas próprias habilidades , consegue enfrentar as situações estressantes que são comuns nas rotinas diárias e é capaz de ter uma vida ocupacional produtiva.

Problemas de ordem mental, social e comportamental podem interagir de maneira a intensificar os efeitos que um manifesta sobre o outro. Confuso? Eu explico: moradias inadequadas, pobreza, baixo nível de educação da população contribuem de forma implacável para prejudicar a saúde mental das pessoas.

Moradias inadequadas, pobreza, baixo nível de educação da população contribuem de forma implacável para prejudicar a saúde mental das pessoas

A ligação que se faz entre pobreza e doença mental é universal. Quem nunca viu um sujeito com roupas sujas, barbudo e com cabelo grande gritando coisas sem nexo na rua? Moradores de rua antes eram tidos como doentes mentais. Alguns de fato tiveram este fim, enlouquecendo nas ruas, talvez para assim suportar uma realidade tão dura.

Os transtornos mentais são comuns em todo o mundo. Os “doentes do espírito” engordam os números dos trabalhadores afastados de sua ocupações. A depressão, que muitos consideram uma “besteira” ou “frescura” é o grande mal de nossa época e em 2020, espera-se que ela se torne a segunda maior causa de afastamentos, perdendo apenas para as doenças cardíacas.

Promover saúde mental, antes de mais nada, é quebrar um preconceito.

Até recentemente, a idéia dominante era a de que o termo Saúde Mental se referia apenas ao oposto de Doença (ou doente) Mental. Desta forma, quem buscava os serviços de saúde mental, automaticamente recebia o rótulo e o estigma de doente ou “louco”.

Ora, eu posso fazer uma bateria de exames para averiguar se meu coração está Ok, sem precisar ter um diagnóstico de doença. Se os resultados não apontarem nada, é sinal que ultimamente tenho cuidado bem da minha “bomba de sangue” e basta então seguir outras orientações que meu cardiologista possa me dar para que tudo continue indo às mil maravilhas.

E isso vale para qualquer outra especialidade da área da saúde, exceto para a Mental. E qual o motivo? Preconceito. Esta é a primeira barreira a ser exterminada. Se estou passando por problemas ou situações aos quais não estou conseguindo administrar sozinho, por que não procurar ajuda? Ou será que deveria “ir levando” o sofrimento até que algo mais grave se instaure?

Saúde Mental é parte indissociável da saúde como um todo

Num tópico intitulado No health without mental health, o relatório da OMS informa que existem estudos apontando que pacientes que possuem atitudes negativas em relação à vida, idéias depressivas e afins, têm mais dificuldades em atingir a recuperação de quadros patológicos do que aqueles que assumem uma postura mais positiva frente às situações que estão enfrentando.

Outros dados relevantes:

  • Desnutrição aumenta o risco de déficit cognitivo e motor em crianças;
  • Doenças como as cardíacas, câncer e HIV/AIDS aumentam o risco de depressão.
  • O estresse pode causar infarto e  morte súbita.

Falei alguma novidade? Isso já é amplamente divulgado pelos profissionais da área e através dos meios de comunicação. O problema é que as estatísticas anuais não são nada animadoras. As pessoas ainda não são capazes, seja por péssimos hábitos adquiridos ou pela rotina exaustiva do trabalho, de entender a importância da saúde mental e como ela interfere diretamente em suas realidades.

Para finalizar, Saúde mental e a assim chamada saúde “física” não existem de forma independente. Jogam no mesmo time. Entender que a saúde é um estado de equilíbrio entre fatores diversos é fundamental para que medidas que possam contribuir para a sua melhoria sejam implementadas.

Fonte: Fábio Fischer | Psicólogo em Santos(SP)
www.papodepsicologo.com
www.facebook.com/psicologofischer

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O Projeto Janeiro Branco faz do mês de Janeiro um marco temporal estratégico para que todas as pessoas reflitam, debatam e planejem ações em prol da Saúde Mental e da Felicidade em suas vidas. Participe e ajude a divulgar nossa ideia!

1 Comment
  1. Acho maravilhosa essa campanha. Na escola em que trabalho, eu e mais 03 psicólogas, incluímos na semana pedagógica oficinas de técnicas de autoconhecimento e corporais para estimular os professores a entrarem contato consigo e perceberem seus processos internos e potenciais de cura. O objetivo é valorizar a saúde mental como uma obrigação de cuidado com a saúde pessoal, favorecendo desta forma condições para desenvolver um bom trabalho. Eles terão por 40 min. oficinas de Biodança, respiração, automassagem e Experiência Somática. Mente , cérebro e corpo sendo percebidos como um todo.
    Livania Guimaraes – Psicóloga em JP no Colégio Lourdinas

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