População em situação de rua tem mais chances de desenvolver problemas mentais

São múltiplos os fatores que levam uma pessoa a virar morador de rua, assim como são múltiplas as realidades dessa população. Contudo, uma característica comum a esse grupo – principalmente aos homens – são os problemas mentais orgânicos.

Diante disso, pesquisadores da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ) e do Departamento de Enfermagem da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), publicaram o artigo intitulado Prevalência de depressão entre homens adultos em situação de rua em Belo Horizonte na última edição Jornal Brasileiro de Psiquiatria, apresentando resultados da pesquisa que levaram a cabo na cidade mineira.

Segundo os autores, os distúrbios mentais são mais comuns em homens solteiros em situação de rua, pois estes têm um maior período de vivência nas ruas – o que aumenta o risco de agravamento de doença física e mental. “Em geral, os distúrbios mentais maiores antecedem à condição de morar nas ruas, como também a condição precária de existência nas ruas pode exacerbar os seus sintomas anteriores, assim como favorecer o aparecimento de outros distúrbios, levando a uma alta prevalência de comorbidade nesses indivíduos”, dizem no texto.

Homens adultos e solteiros são as maiores vitimas do problema, aponta pesquisa
Homens adultos e solteiros são as maiores vitimas do problema, aponta pesquisa

Eles explicam que o estudo foi feito com base na análise de 245 homens adultos, escolhidos aleatoriamente, entre a população de rua que frequentou o Centro de Referência da População de Rua (CRPR) no período de março a julho de 2009.

Eles primeiro responderam um questionário sociodemográfico para coleta de dados referentes à caracterização e condições de vida e de saúde inerentes da população em situação de rua.

Além disso, em um segundo momento, foram submetidos ao Inventário de Depressão de Beck (Beck Depression Inventory – BDI), que é um instrumento para a medida de sintomatologia de depressão, muito utilizado na área clínica e em pesquisas. Trata-se de uma escala de autorrelato para levantamento da intensidade dos sintomas depressivos, composta por 21 itens que abarcam os componentes cognitivos, afetivos, comportamentais e somáticos da depressão. O escore total permite a classificação dos níveis de intensidade da depressão. O ponto de corte utilizado foi 12 para diagnóstico de depressão.

Os resultados publicados pela equipe mostram que dos 245 moradores de rua, 138 (56,3%) totalizaram acima de 12 pontos, sendo classificados como tendo sintomas depressivos 66 (26,9%) com grau leve, 60 (24,5%) com grau moderado e 12 (4,9%) com casos de sintomas depressivos graves.

Finalmente, o estudo detectou uma prevalência de depressão de 56,3%.

“É uma taxa bastante elevada, revelando a fragilização da saúde dos homens moradores de rua de Belo Horizonte. A depressão pode ser definida como estado de alterações do humor envolvendo irritabilidade, tristeza profunda, apatia, disforia, anedonia, alterações cognitivas, motoras e somáticas”, explicam os pesquisadores.

Eles identificaram que miséria, violência, consumo abusivo de drogas, rompimento com a família e situações de violência doméstica, sexual e moral são fatores que comprometem a estrutura individual com agravo da capacidade mental e física dos moradores de rua.

Para ler o artigo na íntegra acesse, clique aqui.

Fonte: www.abp.org.br

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1 Comment
  1. Muito interssante essa pesquisa! Parabéns aos q nela se envolveram.Mas depois disso houve alguma continuidade com eles? Tipo algum suporte pra ajuda-los a serem pessoas saudáveis? ??

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