O mundo somos nós

Pablo Martins – Precisamos, com urgência, atentarmo-nos para essa questão prática e usar do conhecimento científico para ajudar a sociedade.

Todos nós gostaríamos de morar “em mundo melhor”, mais solidário, com mais respeito, justiça, mais esperança e menos violência. Não cansamos de repetir que “esse mundo tá muito estranho”, que “esse mundo não tem jeito”, que “no mundo de hoje, é cada um por si”. Mas quem é esse “mundo”? Do que se alimenta, onde vive, onde mora, o que pensa, como age? Alguém o viu por aí? Será que o Mundo sai na calada da noite a espalhar maldades e drenar a esperança? Será que ele tem armas poderosas para disseminar preconceito, para ensinar (mesmo que não percebamos) o individualismo e a competitividade? E o que é pior, será responsabilidade desse Mundo a lamentável falta de afeto e amor com que vemos as pessoas se tratando nos dias de hoje?

O Mundo é, então, um algoz perigosíssimo. Age publicamente e também às escondidas. Provoca, sem nosso conhecimento e consentimento, todas as mazelas que atrapalham nossa vida a se tornar mais alegre para todos. Então, precisamos destruir esse Mundo. Ao aniquilar esse inimigo – o cavalheiro do apocalipse que tem nos matado em doses homeopáticas – resolveremos todos os nossos problemas.

Destruir o mundo?
Não – usar a ciência em seu benefício

Mas… destruir o Mundo? Algo parece errado mesmo diante de tantas atrocidades que nós atribuímos a ele. Parece que não devemos destruí-lo? Mas, por que não? Não é ele o culpado de todo o mal que estamos vivendo? Neste momento, percebemos o porquê de não matarmos o mundo. Porque não eliminá-lo e, com ele, todas as mazelas que nos cercam?

Porque o mundo somos nós! e há muitos mundos em cada um de nós. E é preciso resgatar mais do que nossa vontade de vivermos dias melhores. É preciso usar de conhecimento científico para ajudar a sociedade.

Entre os conhecimentos científicos disponíveis está o conhecimento do comportamento humano, melhor representado pela Psicologia. Dentro dessa área acadêmica muitos conhecimentos já foram produzidos e eles podem e devem ser utilizados para o bem comum. As leis da aprendizagem humana devem ser sempre lembradas no momento de um planejamento adequado de políticas públicas ou qualquer ação que envolva o indivíduo e, principalmente, grupos que poderão replicar esse conhecimento a favor de grupos ainda maiores.

Devemos lembrar que todos nós aprendemos coisas na vida sofrendo a influência das consequências para nosso comportamento. Se uma criança se comporta de uma maneira específica e o pai a elogia, abraça ou pega no colo, ela vai entender que fez algo bom e vai tender a repetir tal comportamento. Se, ao contrário, ela se comportar e algo ruim acontecer, ela vai tender a evitar esse comportamento.

Não podemos esquecer que a sensação de ter levado vantagem acaba induzindo a criança (e o adulto) a repetir aquele comportamento, mesmo sendo socialmente indesejável. A boa notícia é que nossa espécie aprende com facilidade a repetir comportamentos que gerem bem estar.

Dessa forma, se consequenciarmos, positivamente, os comportamentos desejáveis de crianças (e adultos), isso, inevitavelmente, vai gerar bem-estar e vai aumentar a chance dessas pessoas agirem assim novamente. Se apresentarmos mais consequências positivas para aqueles comportamentos que beneficiam mais o grupo do que a individualidade, podemos contribuir para uma geração que vai dar um duro golpe ao egoísmo e isolamento.

Um mundo melhor

Precisamos, com muita urgência, atentarmo-nos para essa questão prática. No planejamento de ações com as pessoas (crianças e adultos), é preferível – e desejável – premiar as ações que visam o bem comum. seja no trânsito, no cuidado com o meio-ambiente, nas relações familiares, nos contratos de trabalho, nos clubes que frequentamos, no planejamento de políticas públicas, a meta deve ser o bem comum.
E é preciso sinalizar com clareza que a ação direcionada ao bem de todos (ou pelo menos da maioria) vai ser o tipo de ação mais valorizada e aplaudida na nossa sociedade.

Outra boa notícia é que a espécie humana também aprende muito por imitação. E o “exemplo” que a geração atual pode produzir para as próximas gerações pode garantir nosso sucesso em busca de uma vida mais justa, mais solidária e, aí assim, de um “mundo melhor”.

Diante disso, sabemos que, de fato, muitas coisas estão sendo feitas de maneira desastrosa no estilo de vida atual, mas sabemos também que já produzimos conhecimentos suficientes para reverter o quadro. Basta, além daquilo que não depende de nós, fazermos a nossa parte. Sermos o “exemplo” daquilo que queremos para o mundo e não esquecer que o mundo somos nós.

Pablo Martins – Psicólogo
pabloufu@yahoo.com.br

Janeiro Branco

O Projeto Janeiro Branco faz do mês de Janeiro um marco temporal estratégico para que todas as pessoas reflitam, debatam e planejem ações em prol da Saúde Mental e da Felicidade em suas vidas. Participe e ajude a divulgar nossa ideia!

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