Ditadura da felicidade

No dia 18 de setembro de 2016, a história da televisão no Brasil completará 66 anos. 66 anos de uma íntima e profunda relação com todos nós que, desde 1950, fomos abrindo casas, corações e mentes para as suas – nem sempre explícitas – intenções.

Após tantos anos de (oni)presença em nossos lares, acabamos por nos habituar a ter a televisão como um elemento natural em nossas vidas. Ditando regras, impondo valores, lançando modas, alterando costumes, criando padrões e conduzindo a massa, a televisão se tornou um dos principais meios de formação das nossas opiniões – e talvez o principal (único?) para uma imensa quantidade de pessoas.

Nesse sentido, não são poucos os estudiosos que analisaram a relação entre os meios de comunicação de massa, como a televisão, e os indivíduos. Theodor Adorno e Max Horkheimer, da Escola de Frankfurt, foram dois deles, por exemplo. Em um texto clássico escrito em 1947, “Dialética do Iluminismo”, Adorno e Horkheimer definiram a indústria cultural como um sistema político e econômico que tem por finalidade produzir bens de cultura – filmes, livros, programas de TV etc. – como mercadorias e como estratégia de controle social.

A televisão, a partir dessa linha de raciocínio declaradamente ácida, seria uma das grandes responsáveis pela imposição de uma ditadura midiática às pessoas: a ditadura da moda, da beleza, do consumo, dos comportamentos e até mesmo a ditadura dos sentimentos. Como a ditadura da felicidade e do sucesso, direta ou indiretamente implementadas por meio do bombardeio de imperativos ou receitas genéricas que recebemos diuturnamente: “seja feliz!”, “realize seus sonhos!”, “dê asas à imaginação!”, “vença seus limites!”, “sonhe mais, queira mais, faça mais!”, “surpreenda-se!”, “permita-se!”, “fique linda!”, “ganhe o mundo!”, “seja livre!”, “mude sua vida!” etc. 

O problema desses imperativos é que, além de simplistas, os mesmos são exaustivamente repetidos pelos meios de comunicação de massa tornando-se, consciente ou inconscientemente, obsessões com o poder de arrastar os indivíduos para as mais variadas formas de angústia, ansiedade ou frustração. Somadas às outras exigências da vida moderna no contexto da sociedade capitalista avançada – tais como produtividade total, hedonismo desenfreado e consumismo desmedido -, as inúmeras pressões sociais e profissionais a que os indivíduos têm sido submetidos estão contribuindo para que milhares de pessoas sintam-se deprimidas e incapazes de estarem bem consigo mesmas. Se você desconfia que esse pode ser o seu caso, não deixe de procurar um(a) psicólogo(a).

Janeiro Branco

O Projeto Janeiro Branco faz do mês de Janeiro um marco temporal estratégico para que todas as pessoas reflitam, debatam e planejem ações em prol da Saúde Mental e da Felicidade em suas vidas. Participe e ajude a divulgar nossa ideia!

Sem comentários

Seu comentário é importante!

Your email address will not be published.

Você pode usar atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Saúde Mental e Bem-EstarSaúde Mental e Bem-Estar
Janeiro Branco
Campanha Janeiro Branco, uma Campanha totalmente dedicada a colocar os temas da Saúde Mental em máxima evidência no mundo em nome da prevenção e do combate ao adoecimento emocional da humanidade.
Receba atualizações

Coloque seu melhor e-mail:

Curta o Janeiro Branco no Facebook!