Crônica:Todos sabem que a morte está em todos os lugares, mas até aí…

Pois é pessoal, vocês nem vão acreditar no que eu vou contar. Imaginem como seria você estar em um dos dias mais marcantes da sua vida, aquele que você nunca irá esquecer, aquele que você se preparou e cuidou de cada detalhe para que tudo saísse perfeito. Pois bem, estou falando do meu casamento. Antes de continuar quero dizer que minha esposa me deu o aval para eu escrever essa crônica, logo não vou ser esgoelado depois… kkkk

Pois bem, tudo estava perfeito, todos entraram na igreja, tudo estava ocorrendo conforme os nossos planos, até… os votos.

Imagine um dos momentos mais importantes da cerimônia, certo? Pois bem, o cidadão aqui, errou os votos, vocês acreditam?

Não sigo a psicanálise, mas foi um tremendo ATO FALHO da minha parte…. kkkk

Antes de tudo vamos recapitular os votos:

Você, Rodrigo, é de livre e espontânea vontade que aceita a sua esposa?  E eu SIM

Prometes amor e fidelidade um ao outro? E eu SIM, todo convicto!

Estas disposto em receber com amor os filhos que Deus vos confiar? E eu mais uma vez… SIM!

Sem contar que o nervosismo a flor da pele….

Ai vem a tão famosa declaração:

Eu te recebo como minha esposa, te prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza; na saúde e na doença em todos os dias ….. de nossas mortes (pronto me ferrei).

“…em todos os dias de nossas mortes”?

PARA TUDO!!! Gente que vexame, e o pior é que não foi nada combinado e muito menos pensado saiu espontaneamente…

A igreja inteira começou a rir da minha cara…. imagina a cena!

Antes que você me julgue, posso explicar o meu “ato falho”… kkk

Estava eu com uma ideia de falar aquela famosa frase: você aceita sua esposa na alegria e na tristeza; na saúde e na doença até que a morte nos separe. Confesso que estava preparadíssimo para dizer isso, mas na hora… o padre mudou; e me confundiu…

Eu tinha que ter repetir: “em todos os dias de nossas vidas”

Misturei tudo e ficou em todos os dias de nossas mortes, que tal? Obviamente, a igreja caiu na risada, eu não sabia o que fazer, mas demos a continuidade com a cerimônia. Minha esposa fez tudo certinho e eu até comemorei, motivo de mais risadas na igreja.

Enfim, foi um casamento feliz, todos se divertiram e riram muito com as minhas trapalhadas.

Mas o interessante disso tudo é que não podemos deixar de negar que a morte está em todo o lugar. Ali, deixamos de ser solteiros e adquirimos novas responsabilidades pessoais e sociais. A vida mudou completamente. Podemos dizer que foi uma perda positiva, você não acha? Pois então, na vida temos escolhas algumas positivas e negativas. Por mais positiva que seja a sua escolha, haverá alguma perda. No meu caso, eu perdi o papel de um rapaz solteiro, de não ter muitas preocupações, de não ter responsabilidades com casa e contas a pagar, tive que sair de casa, e entre outras. Digo isso para apenas uma reflexão, estou muito feliz e contente com o meu casamento e minha esposa sabe muito bem disso.

Em contrapartida, eu perdi esse papel social, porém ganhei outros tão ou mais importantes quanto os anteriores. Tudo foi questão de troca, sabendo é claro que estava certo do que eu queria. Espero que essa reflexão também ajudem os futuros casais que pensam em se casar.

Mas às vezes na vida, nem sempre, ou melhor dizendo, quase nunca temos essa certeza do que queremos, e é daí que temos que nos adaptar as novas situações que a vida nos oferece. Na psicologia temos um termo para isso que se chama Resiliência:

“é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse, etc. – sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades.” (“Resiliência” | Wikipédia)

Adoraria ler os seus comentários, dúvidas e sugestões sobre o assunto.

Até uma próxima oportunidade…


Rodrigo Gusmão Franca | Psicólogo | rodrigo.franca.psi@gmail.com 

Facebook: @vivenciandovazio |  @psicRodrigoFranca

Instagram: @rodrigo_psicologo

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15 Comments
  1. Adorei! E já que eu sigo a psicanálise poderia falar um pouquinho desse ato falho. Mas nem preciso, vc explicou direitinho. Deixrar a vida anterior e embarvar numa nova é enfrentar a morte do que tinha antes. E é ter que enfrentar o luto dessa perda. Parperda pelo texto!

    1. Obrigado Cristiane. A vida é feita de escolhas que nos tras vitórias e perdas a partir das mesmas. Logo, a vida é repleta de diferentes perdas, algumas mais significantes e outras nem tanto.

  2. Rodrigo, seu texto está ótimo! Tão real que dei gargalhadas e fiz uma reflexão sobre quanto muda mesmo nossa vida depois que nos casamos. São perdas e ganhos construindo um grande aprenfizado do casal. Parabéns e continue escrevendo. Beijos!

    1. Obrigado Maria Salete, o interessante é podermos passar por tudo essas e outras situações e podermos revê-las e aprender e dar boas gargalhadas com elas.

  3. Muito legal o seu texto, Rodrigo!
    Ao fazermos escolhas e mudar ciclos em nossas vidas, nós temos ganhos e necessariamente temos perdas também. O casamento é muito festejado pela nova fase que está se iniciando, mas a perda (e morte) do ciclo anterior ganha pouca atenção, até sair em “atos falhos” e, às vezes, até sintomas.
    Parabéns por propor a reflexão!

    1. Juliana obrigado pela sua reflexão. Fiquei muito contente em saber que eu pude poder proporcionar essa reflexão nas pessoas também.

  4. Rodrigo, excelente. Gostei muito da forma que vc expôs uma passagem tão importante da sua vida. Parabéns! Que vc possa nos alegrar com sua experiência de psicólogo. Sucesso em sua vida. Abraços de Tânia Magdalena👏👏👏👏

    1. Tânia, fico feliz que você tenha gostado da minha crônica. Fico feliz em poder proporcionar essa reflexão, por mais que seja um ato falho. kkkkk

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